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Morre o paraibano Genival Barros considerado o braço direito de Roberto Carlos nos bastidores

Genival Barros era um produtor técnico e amigo de longa data do cantor Roberto Carlos, conhecido por seu trabalho na equipe do cantor por mais de 60 anos.  Era  responsável pela produção técnica completa dos shows, incluindo som, luz, e montaqem do palco. Genival, de Campina Grande,  comecou, sua carreira como operador de som em rádios campineses, inclusive na Rádio Caturite,  antes de se  mudar para São Paulo na década de 60 e se juntar à equipe de Roberto Carlos.

Suas últimas passagens pela Paraíba, foi em julho, show no Spázzio e em agosto, aniversário de João Pessoa, onde chegou a ser entrevistado e falou da sua relação com o RC durante seis décadas.

 

VEJA ESTA HOMENAGEM

Genival se foi
O nosso Genival Barros

Durante mais de meio século, esteve nos bastidores dos shows de Roberto Carlos Desde os tempos da Jovem Guarda quando já atuava como sonoplasta na TV Record, até o período em que passou a coordenar toda a parte técnica dos espetáculos do Rei. Som, iluminação, vídeo, montaqem de palco, camarim e equipe. Tudo passava por ele. E tudo funcionava.

Estive com o Genival em alqumas ocasiões. Sempre o mesmo homem, simples, educado e acessível. A última foi no dia 13 de marco de 2025, no navia ancorado no Pier Mauá. Conversamos rapidamente. Mostrei a ele uma foto nossa. tirada em 16 de dezembro de 2012, no Maracanãzinho. Não foi a primeira vez que estivemos juntos. Foi a primeira vez que tive coragem de pedir uma foto.

Ao ver a imagem, ele comentou que naquela época, estava mais novo. Eu respondi que, no meu caso, além do tempo, o que tinha aumentado era o peso. Rimos juntos da piada um do outro, cada um com a sua nova condição. Ele com alquns anos a mais. Eu com muitos quilos a mais.

Logo depois, o Roberto começou a cantar Champagne. Quem já viveu esse momento nos cruzeiros conhece o ritua do brinde coletivo. As taças se erguem, acompanhando a música e o clima do espetáculo. Mas ali havia confusão. Os garcons pulavam fileiras de cadeiras, passavam por algumas e retornavam a outras, e o encadeamento do servico perdia clareza. 0 instante pedia ajuste.

○ Genival, que estava sentado ao meu lado, se levantou. Levantou-se com a disposicão de um menino, mais viva e ágil do que aquela juventude que ele próprio havia acabado de comentar ao ver a foto antiqa. Aproximou-se de um, de outro, improvisando palavras conforme a nacionalidade que identificava em cada garçom.

Orientava com gestos curtos, corrigia o fluxo, reorganizava o percurso. Em poucos instantes, tudo encontrou o ritmo correto. Quando o refrão chegou, o brinde aconteceu como devia acontecer
Essa cena ficou auardada. Assim como os abraços, o sorriso aberto e a maneira como ele sempre conduziu o próprio trabalho.

Genival Barros foi, acima de tudo, um homem de bastidor no sentido mais nobre da palavra. Alquém que dominava o funcionamento do espetáculo por dentro, entendendo o momento exato de agir e o instante preciso de sair de cena.

Um paraibano de Campina Grande que construiu uma longa trajetória, sólida e extremamente respeitada.
Agora ele partiu.
Deixou tudo em ordem. Deixou tudo equalizado. Como sempre fez nas mesas de som que operou, nos espetáculos que organizou e nos efeitos que criou.
Fará muita falta
Que Deus o receba com luz e boa música.

Por Leandro Coutinho

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